sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A nossa pseudo-democracia

Oi! Este texto é um pouco largo mas possue informações interessantíssimas.


Boa leitura.


A cada dois anos celebramos o nosso direito a voto; o nosso poder de decisão; escolhemos aqueles que darão um norte a nossas vidas sofridas; é direito e obrigação cidadãos, etc... Na verdade, as afirmações anteriores são um mero engano. Essa democracia não passa de uma grande farsa.


Para defender a tal “idéia democrática”, há inúmeras propagandas belíssimas e convincentes de órgãos do governo e da justiça eleitoral, mas muito nos é escondido. Não se diz nessas propagandas oficiais que os grandes candidatos recebem milhões em dinheiro de empresas num jogo concorrido de troca-troca: O grupo empresarial investe no político para que, caso seja eleito, ele possa garantir obras, favores e facilidades à empresa que nele investiu. Não é à toa que a maioria delas são empreiteiras especializada na construção de pontes e estradas. O grupo HSBC, nas eleições de 2006 para presidente, investiu milhões tanto em Lula como em Geraldo. Essa é a prova de que não há ideologia em jogo, há negócios. O candidato que recebe mais tem condições de pagar pela melhor estratégia de marketing e, veja só, na sua maioria esmagadora vence. E como o político depende do investimento para eleger-se aprova projetos a favor de quem nele investiu e não defende, como promete, o povo. Por exemplo, não aprova leis que aumente e aperfeiçoe os direitos trabalistas como redução da carga horária de trabalho e um salário mínimo decente pois isso traria prejuízos no lucro dos empresários.


Esta ilusão de democracia serve para que o povo acredite que sua vida vai mudar e que há alguém que o represente e, então, o mesmo fica passivo dando condições para que a elite prospere e oprima. Quando se chega ao ponto em que a população está bastante insatisfeita com o sistema e há crise (política e/ou financeira) os mesmos poderosos apóiam um candidato que “representa o povo”, que “se originou dele e sofreu com e por ele”, que "é o novo", ou seja, um populista. Apesar das afinidades com os oprimidos ele não os representa, pois do contrário não teria o almejado “patrocínio” já que reais mudanças para a classe desfavorecida acarretam prejuízos aos mais favorecidos. A América inteira já vive isso: É um índio na Bolívia e uma mulher na Argentina; é um padre “oriundo de causas sociais” no Paraguai e um “defensor do socialismo” na Venezuela; ou um ex-miserável nordestino e “grande” líder sindical histórico no Brasil, etc. Os EUA vive, agora, essa situação. Os dois pré-candidatos do Partido Democrata eram uma mulher e um negro, dois grupos sociais historicamente oprimidos. Obama saiu na frente, no entanto os Republicanos, cientes dessa tática, colocaram como candidata a vice à Casa Branca de seu partido uma mulher. Se ao longo dos anos seguintes a manobra não funcionar significa que com o tempo o povo percebeu que aqueles que pareciam ser iguais a ele na verdade eram iguais ou piores que os políticos tradicionais (farinhas do mesmo saco) e, logo, em boa parte dos países originam-se ditaduras para evitar e reprimir qualquer levante popular.


Mas a farsa não pára no parágrafo anterior. Nas ruas, os estudantes são espancados e presos em protesto protestos pacíficos por policiais que nunca estão identificados e logo se torna quase impossível denunciá-los. Tal atitude fere não só o direito democrático de ir e vir, mas ,também, de protesto. Semanalmente há atentados aos trabalhadores que exercem as greves - outro direito democrático. E vale tudo: Desde a demissão em massa, conseguir apoio na justiça para decretar arbitrariamente a ilegalidade da greve e do sindicato, multas exageradas, ameaças, repressão policial à greve, atentados. E houve um caso no Piauí curioso (triste e lamentável) onde um dos líderes da greve dos ferroviários teve sua conta bancária anulada, quer dizer, não poderia fazer empréstimos ou sacar o seguro desemprego ou, ainda, receber o último salário já que fora demitido. Só este último caso derruba a idéia de que vivemos um estado de direito, de liberdades individuais, e o direito a não morrer de fome por falta de dinheiro. A mídia encoberta esses fatos, coloca a população contra parte dela mesma representada por estudantes e trabalhadores que lutam pelo povo, ridiculariza as ações populares e apóia os empresários sendo os próprios donos dos jornais empresários e patrocinados por outras empresas inclusive por aquelas onde os trabalhadores estão em greve.


Dito isso, resta-nos uma pergunta: Por que não muda? 1) Os empresários ameaçam os parlamentares se acaso pensarem um projeto que altere essa lógica já que só teriam a perder se não mantivessem suas influências; 2) Os políticos profissionais não desejam a mudança, pois o investimento empresarial lhes dá vantagens sobre outros candidatos e assim podem parasitar no poder; 3) Ainda não há interesse da população por mudança, ela está iludida.


Neste contexto, Há, aparentemente, duas soluções: O povo vai às ruas na tentativa de forçar reformas no sistema ciente de que haverá duras repressões e possivelmente uma ditadura para controlá-los ou se for, por um acaso, vitoriosa a elite espera a população se acalmar para novamente reeditar as leis a seu favor. A segunda opção é a extinção daqueles que nos enganam através de uma mudança radical e necessária do sistema para que surja daí uma democracia do povo e uma sociedade igualitária, onde esse mesmo povo seja a classe dominante. Traduzindo e resumindo a questão: Funda-se o socialismo.


Nenhuma mudança ocorrerá sem luta. Você ainda é livre para escolher o seu lado. LUTE!







Ps: Acho que o próximo texto será sobre a felicidade ou sobre o motivos de caminharmos para uma ditadura.

Abraços e comente.

3 comentários:

Andréia Almeida disse...

Pois é primo!as pessoas são muito acomodadas, pra que mudar se é mais fácil ficar como está?dá mais trabalho! é assim que a turma do deixa-quieto(quase todos) pensam!e eles são muitos, pode ser por essa explicação que as coisas não vão pra frente!Tenha fé!
bj
Andréia

cacos e coisas disse...

Você tem razão, prima.

Mas nós não somos só acomodados, somo iludidos.

Unknown disse...

Filho, seu texto é ótimo. Crítico da realidade que vivemos e otimista quanto a possibilidade de mudanças.

Vou até usar nas minhas aulas.

Um cheiro do Papai.