Desde já anuncio que as propostas-pilotos a seguir não são meros valores estéticos; são uma proposta estética para uma mensagem sem esquecer de que não há arte revolucionária sem estética revolucionária, como afirmam e reafirmam os concretistas. Se nos é imposto uma "arte" chula é também inegável que há ainda grandes artistas, porém não nos é dado revoluções estéticas, ou seja: Não existe na atualidade nenhuma "novidade" como o que o modernismo ou a Bossa-nova foram em seu tempo. A proposta é uma renovação, no mínimo. Então chamamos aqui pessoas que mesmo sem grandes experiências venham ousar uma nova forma de se fazer a arte no sentido de otimizar sua função que é transformar algo ou alguém nem que seja a nós mesmo.
1. Hip hop Mandacaru
Aqui se parte de uma analogia: A música eletrônica é uma espécie de batuque africano moderno e o hip hop se assemelha aos repentistas.
A proposta-piloto é bem simples mas pode abrir muitas portas: Fundir as duas vertentes, o repente e o hip hop. Os tropicalistas propunham a fusão assim como nós. A fusão da música popular com a clássica, a fusão do baião com roque etc. Partimos dessa idéia de mesclagem.
I- As estrutura das composições especialmente são muito diferentes, as técnicas nas letras e suas formas se diferem radicalmente. então, no hip hop mandacaru, as formas das letras do repente serão absorvidos completamente num descarado ato antropofágico.
II- Propomos uma fusão na forma de cantar do hip hop com o do cantor de repente, o que pode parecer radical. Não uma forma se impondo a outra mas uma mesclagem mesmo que sutil na forma de entoar as palavras, terminar estrofes e versos, estender as vogas das rimas, etc.
III- Como dissemos antes, a forma tem que dar suporte a mensagem proposta. Não queremos alterar a visão crítica do hip hop, o que acreditamos ser o seu princípio básico. Mas há detalhes nas músicas do repente que devem ser absorvidos; por exempo: Para passar uma mensagem o repente ofrereçe mais situações e imagens. Reinvidicamos isso também.
IV- As propostas anteriores são riquíssimas se aprofundássemos em cada uma delas só que não queremos dar o bê a bá mas estimular pesquisas e novas idéias para que o Hip hop mandacaru seja mais característico, mais ele, original.
Poesia-manifesto
Essa proposta está realmente no principio e há, em resumo, três característica básicas: a) É uma poesia para ser recitada em voz alta em praças, elevadores, colégios, protestos, recitais etc; b) Se apropria da lingüagem planfetária; c) Mensagem política clara, ritmo fluente.
Poesia-síntese
Há debates constantes sobre o que é poesia. Poesia é canto ou palavra? Nós respondemos a isso: poesia é mensagem. Partimos desse princípio. Para valorizar o que é a poesia devalorizamos o que dizem que é a poesia, ou seja, desvalorizamos a palavra e o canto.
1. negamos o adjetivo. dar qualidades desvirtuam a função da mensagem.
2. Usa-se apóstrafo pra minimizar a palavra. Ex: " 'Stá a minh'alma no espetá'co deste séc'lo."
3. Abreviações e siglas. Ex: "Vs maria vs joão vs sofia vs josé vs você vs eu vs eu..."
4. As pa-lavras são quebradas buscando enrriquecer as interpretações da poesia.
5. O uso do silêncio, da palsa e de sinais que não dão idéias sonoras.
6. Negamos a repetição de palavras. Se uma palavra não precisa estar no poema então ela não estará. Queremos escrito o básico do básico. Que certas palavras, por inúlteis, sejam apagadas.
7. A poesia não tem o seu começo. Quando começamos a lê-la sabemos que o início dela não está lá, fora arrancado do poema. Isso faz com que o leitor tente descobrir o princípio do mesmo (princípio aqui está em dois sentidos: a) o início da poesia b) suas idéias) fazendo, assim, com que o próprio leitor seja o autor de parte do poema que se está lendo.
8. A poesia não é algo em si mesma; antes, ela é parte de um organismo vivo, parte de um ecossistema: o livro. O livro é o seu hábitat natural. Uma poesia interage com as outras negando-as, afirmando-as, completando-as, descultindo, destruindo etc. A poesia tem noção de onde está.
9. O título não é enfeite. rompemos com essa idéia de título para que ele ganhe vida. Que o título seja o poema ou parte dele ou uma contradição dele; que o título possa ser sem palavras, só com sinais.
10. substituir palavras por simbolos. Ex: "Nada" a + ... E DEPOIS ... + " "
11. Usar palavras atuais e atualizadas que estão no prazo de validade.
12. Colocar na poesia palavras que dão a mesma idéias ou que provocam imagens parecidas etc. Ex: "Ponto final! Xeque-mate! Bingo!"
13. Poesia com sentídos múltiplos que se completam.
Fim.
Considerações: 1-O último manifesto está bem desenvolvido o que não significa que não deve ser aprimorado. 2-Temos que enrriquecê-los. 3-Qualquer proposta, qualquer consideração sobre o que é proposto é bem vindo. 4-esta postagem será atualizado a cada nova idéia introduzida nesses manifestos. 5. lembramos mais uma vez que essas propostas estéticas estão a serviço da arte engajada. Não queremos só revolucionar a arte queremos revolucionar todo o sitema, todos os valores, queremos mudar o que jugamos preciso.
Eis duas poesias-síntese:
À vista
:
vendovocecompra
Efeito e causa
E se
Não(-)mudo
mudo.
Obrigado.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
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