– ...
“Façamos o seguinte:
Cala sua boca e eu serei
Seu eterno ouvinte.”
Cineas Santos
...
Ele faria algo, eu sabia...
...
- Mano...
...Segurou-me a mão...
- Espera, pequeno...
...
... Não estava agressivo... Tive medo...
...
- O que...
- O pôr-do-sol... O pôr-do-sol de Teresina, pequeno... É massa... Massa por demais...
...
Alegre, ele sorria... Uma alegria reservada, talvez... Um sorriso pequeno, talvez quase sábio... Eu sentia...
- Tem medo, não é mesmo?
...
- É...
Olhou-me olho por olho para que o fiapo de silêncio dissesse:
“Não eu.”
E voltou-se para o que restava de sol...
...
- Vai fugir... de novo?
- Não..., vou sonhar, eu acho.
Fingi que entendi.
...
-... É sobre aquilo lá... De mudar... Não é?
...
... Si... lên... ci... o...
- Mano, a mãe disse que não dá em nada...
...
Eu não entendia, definitivamente.
...
Ele faria algo, eu sabia.
...
No rio, a lavadeira cantava... A moça brincava na roda... Um moço dedicado dedilhava o violão... E... Nós...
- Olha só, pequeno... Só olha...
Olhei... Mirei... Remirei... Observei...
...
“Eu. Tu. Ele. Ela. Nós...”.
– ..., eu, sem uma palavra sequer, disse o que precisava, pois há coisas que as palavras não abarcam mais.
E então ele me compreendeu. E eu o compreendi... Finalmente nos entendemos, no silêncio.
No silêncio entendi o que é a vida que ainda não é nossa... E ele faria algo, eu sabia e já estava pronto para ir junto.
...
sábado, 8 de novembro de 2008
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Um comentário:
um texto seu aqui ^^, que ótimo. Gostei! Palavras falam menos que gestos que falam menos que palavras. Pq tudo que é feito junto é sempre melhor.
beijos.
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