Ai de ti, Haiti
A culinária haitiana está mais rica: o povo {os 80% da população que estão na miséria absoluta} alimenta-se de bolachas de barro com sal. Desemprego, alta dos alimentos e multinacionais que, além de acorrentar os funcionários, não pagam o já mesquinho salário mínimo por 15 horas de trabalho diário são alguns elementos presentes nesse país de bela história {foram, por exemplo, os primeiros a abolir a escravidão}.
A um mês o povo desiludido se colocou nas ruas, derrubou o presidente que nem ao menos sabia falar a língua haitiana, invadiu o palácio do governo derrubando grades e portões e… Tanto o povo ficou espantado e desorientado com a própria força quanto o exército brasileiro fez dura repressão em nome "de uma paz" que "sem voz é", na verdade, "medo".
A culinária haitiana está mais rica: o povo {os 80% da população que estão na miséria absoluta} alimenta-se de bolachas de barro com sal. Desemprego, alta dos alimentos e multinacionais que, além de acorrentar os funcionários, não pagam o já mesquinho salário mínimo por 15 horas de trabalho diário são alguns elementos presentes nesse país de bela história {foram, por exemplo, os primeiros a abolir a escravidão}.
A um mês o povo desiludido se colocou nas ruas, derrubou o presidente que nem ao menos sabia falar a língua haitiana, invadiu o palácio do governo derrubando grades e portões e… Tanto o povo ficou espantado e desorientado com a própria força quanto o exército brasileiro fez dura repressão em nome "de uma paz" que "sem voz é", na verdade, "medo".
Sabemos – e o próprio exército reconhece isso – que saturar a ilha de soldados não mudará os rumos do país, só impedirá os haitianos de exercerem seu direito democrático de protesto e revolta. Enquanto isso há um plano do governo do Brasil, já em execução, para transformar suas terras em áreas para produção de etanol colocando em risco a produção de alimentos como o arroz, a batata e o feijão.
O que diria Machado de Assis?
No dia das mães deste ano estava em crise: “A família é um {mau} negócio?” Todos sabem ou fingem que não sabem que “antes” o casal tinha filhos na tentativa de garantir uma velhice mais segura. “Hoje” mulheres apanham do marido e não se separam por que ela não pode sobreviver sem ele, há casamentos interesseiros; casais que não se amam, mas que separados tudo seria mais difícil... “E será que também não vou escapar?” Pensei e expandi o pensamento para antes do casamento, pensei no forró do karatê; pensei que sexualmente as coisas seriam mais fáceis com uma BMW e uma nota de 50 mesmo que seja só possa usar para comprar um sorvete de 1 real para a garota dos sonhos.
O que diria Machado de Assis?
No dia das mães deste ano estava em crise: “A família é um {mau} negócio?” Todos sabem ou fingem que não sabem que “antes” o casal tinha filhos na tentativa de garantir uma velhice mais segura. “Hoje” mulheres apanham do marido e não se separam por que ela não pode sobreviver sem ele, há casamentos interesseiros; casais que não se amam, mas que separados tudo seria mais difícil... “E será que também não vou escapar?” Pensei e expandi o pensamento para antes do casamento, pensei no forró do karatê; pensei que sexualmente as coisas seriam mais fáceis com uma BMW e uma nota de 50 mesmo que seja só possa usar para comprar um sorvete de 1 real para a garota dos sonhos.
Meio mal, fiz um poema horrível de presente para minha mãe; fiz não tanto por não poder comprar um urso de pelúcia ou uma caixa de bombom garoto, foi mais para ficar de bem com a consciência mesmo {não João, nem todos são interesseiros[as] e não somos mercadorias}. Queria fugir à “reflexão”.
Feito o aborto ou o poema, fui ao meu irmão e pedi que escrevesse seu nome junto ao meu para que a felicidade da mãe viesse dos dois filhos e aí eu estaria perdoado – "o mundo ainda ama!". Só que o muleque enfiou uma assinatura de superexecutivo-bem-sucedido sob o meu poema – aquelas assinaturas que estão nos contratos de empresas e muito distantes das letras nas cartas de amor, sabe. Nem leu o poema; escreveu e voltou para a televisão.
“O coitado tá precisando de umas duas doses de sentimunilina”, pensei, mas acho que o melhor mesmo é não pensar.

Um comentário:
Sobre o Haiti, é uma questão muito complicada, João... tanta miséria no mundo e é triste viver em um país onde seu próprio povo não pode dominar seu território que comandado por uma pessoa que mal sabe as necessidades daquele povo.
Sobre o dia das mães é uma coisa muito simples (assim como o dia dos pais ou o dia dos namorados) é só mais uma data comercial, para vender. Infelizmente está ocorrendo o mesmo com o Natal. Espírito natalino é para se ter o ano todo e não só no Natal, mas isso já é outra questão.
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